Zero Hora: Câncer, desafio coletivo


 

As luzes que cobriram de rosa as cúpulas do Congresso Nacional se apagaram. Elas também não iluminam mais monumentos nem prédios públicos nas principais cidades do país. Acabou mais um Outubro Rosa. As mobilizações nacionais, destinadas a chamar a atenção da sociedade para a prevenção ao câncer de mama, iniciadas timidamente em 2007, ganham força e apoio a cada ano. Além de alertar à importância da prevenção, mobiliza a sociedade no enfrentamento desse grande problema nacional. Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. O Outubro Rosa deixou de ser um símbolo na abordagem do câncer de mama para se transformar na bandeira que, empunhada com vigor pelas lideranças da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), consegue sensibilizar autoridades para aumentar investimentos no combate ao câncer, ampliando a oferta das mamografias, exame eficaz no diagnóstico.

Em abril de 2009, entrou em vigor a Lei 11.664, garantindo direito à mamografia às mulheres acima dos 40 anos. Outros projetos focados na luta contra o câncertambém ganharam visibilidade. Na última terça-feira, o Senado aprovou o substitutivo da Câmara dos Deputados (SCD 32/1997), de autoria do ex-senador Osmar Dias, que tive a honra de ser relatora no Senado. Esse projeto de lei garante prioridade aos diagnosticados com câncer para início do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em prazo máximo de até dois meses. Quando sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o SUS terá de oferecer acesso rápido à terapia. Hoje a espera pode ser superior a seis meses. O sofrimento dos pacientes e familiares se prolonga pela demora para iniciar o tratamento, seja cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, conforme recomendação do oncologista. Essa é a relevância do projeto que tem enorme alcance social. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura.

Outro projeto, de minha autoria, em tramitação na Câmara Federal (PL 3998/2012), inclui nas coberturas obrigatórias dos planos de saúde o uso de quimioterapia oral, em domicílio, no tratamento do câncer. É uma entre as 530 proposições sobre o tratamento contra o câncer existentes nas duas casas legislativas. Sinal de que o Congresso precisa continuar mobilizado para aprovar propostas que melhorem as condições para a população vencer a doença.

A sociedade brasileira tem atuado ativamente no debate sobre o câncer de mama, que anualmente atinge um milhão de pessoas no mundo, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, até o fim deste ano, 52,6 mil novos casos devem ser registrados. São 35 mulheres morrendo, todos os dias, no Brasil, por causa da doença, como alerta a líder da Femama, a mastologista Maira Caleffi. Assim, o Outubro Rosa, quando ilumina os principais monumentos do país, cumpre o papel de alertar sobre a prevenção. A descoberta precoce do tumor aumenta em 95% as chances de cura, garantem os oncologistas. Dados do oncologista Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP), são alarmantes: 500 mil novos casos de câncer são registrados no país por ano. O câncer de mama representa 10% desse total. Por isso, precisamos incentivar a informação, a prevenção e as pesquisas, valorizando o esforço dos setores público e privado que trabalham nessa área e, acima de tudo, sem preconceitos e sem medo.

 

Por Senadora Ana Amélia (PP-RS)

Relatora do Projeto que prevê aos diagnosticados com câncer 60 dias para início de tratamento no SUS.